O Movimento do Caminho Revolucionário Palestino Alternativo

Declaração de Madrid

Publicado pela Conferência do Caminho Revolucionário Palestino Alternativo em Madri, Espanha

Ao longo de quatro dias a Conferência do Caminho Palestino Alternativo, Conferência Masar Badil, aconteceu em Madrid, capital espanhola, esse evento aconteceu no 30º aniversário da infame conferência de liquidação que ocorreu em Madrid no ano de 1991, e, foi   uma resposta prática e popular ao caminho catastrófico de Oslo e suas consequências; e teve também a finalidade de enfrentar as políticas do colonialismo sionista e os regimes de rendição e normalização.

Os participantes da conferência adotaram as seguintes posições políticas:

Nosso povo palestino, que tem lutado a batalha de libertação nacional por 104 anos, enfrentando o colonialismo dos sionistas, está ciente, por meio de sua longa experiência de luta, da importância da unidade popular palestina nos campos de luta; luta e resistência, e da necessidade pelo consenso sobre objetivos diretos e estratégia geral que proteja sua luta, preserve suas conquistas e preserve sua identidade, unidade, dignidade e direitos nacionais.

Com base neste firme entendimento convocamos as forças de resistência palestinas, os vários organismos nacionais e populares, os movimentos juvenis, movimentos estudantis e feministas, os comitês de boicote e anti-normalização e todo o nosso povo que está tanto aqueles que estão lutando na pátria ocupada e como os que estão em toda a Diáspora para nos unirmos nacionalmente e assim estabelecer uma frente nacional palestina unida com o intuito de resistir ao colonialismo colonizador sionista, racista em toda a Palestina. Para enfrentarmos os aliados do movimento sionista e trabalharmos para que os cercos parem de existir e isso é possível se desenvolvermos a capacidade de nosso povo palestino de restaurar, libertar suas instituições e fortalecer as estruturas, a posição e o papel do movimento de libertação palestino e sua presença ativa nas arenas árabe e internacional.

Nossa conferência considera a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) uma instituição confiscada e sequestrada cuja tomada de decisão é dominada por um setor de classe corrupta, que age como agente do colonialismo sionista e que possui uma fraca liderança, liderança essa sem legitimidade revolucionária, popular ou legal. Com base nisso, consideramos que a OLP e suas lideranças, em sua forma atual, não nos representam e não podem representar as lutas e os direitos de nosso povo.  A conferência, portanto, apela a todas e todos, as forças populares, associações e organizações filiadas ao Movimento do Caminho Revolucionário Palestino Alternativo para intensificar o ritmo da luta dentro e fora da Palestina ocupada e confrontar o projeto de liquidação da “administração autônoma” no caminho para o isolamento, derrubando-o.

O Movimento do Caminho Revolucionário Palestino Alternativo está empenhado em trabalhar para intensificar a luta política e pública como também a luta nos campos de confronto, nos posicionando contra a abordagem de liquidação e rendição que começou e foi concretizada na assinatura dos Acordos de Camp David em 1978, entre o regime de Anwar Sadat e a entidade sionista sob os “olhos” americanos. Como também nos posicionamos contra e confrontamos os resultados dos acordos econômicos e de segurança assinados entre pólos reacionários nos regimes árabes oficiais com o sionista entidade como: Madrid-Oslo, o acordo Wadi Araba de 1994 e a última das quais são os chamados “Acordos de Abraham”. Nós os consideramos acordos e tratados inválidos e ilegítimos.

O Movimento do Caminho Revolucionário Palestino Alternativo enfatiza a necessidade de fortalecer a unidade do campo de resistência na Palestina, na região árabe e no mundo e esse movimento inclui os múltiplos movimentos políticos e intelectuais que abraça as várias cores do espectro árabe e islâmico desde o oceano até o Golfo. Somente o campo popular é capaz de enfrentar as forças do colonialismo, imperialismo, o racismo e a exploração e o que possibilitará que o projeto de retorno seja concretizado, libertando, dessa maneira, as terras palestinas e árabes e derrubando a abordagem de rendição e normalização liderada pelos Estados Unidos e os regimes reacionários e seus agentes na região.

Ao mesmo tempo, afirmamos que a tarefa de desenvolver a capacidade do campo de resistência e a coesão de nossa frente interna requer um diálogo interno franco entre suas várias correntes e pólos nacionais e sociais para que assim consigamos a libertação de nossos povos da tirania externa e da tirania de casa e alcançamos a independência nacional completa. Isso aumenta a capacidade dos povos de proteger suas riquezas e capacidades nacionais de salvaguardar a paz civil em nossa grande pátria árabe, do oceano ao Golfo.

Reafirmamos nossa posição firme e fundamental sobre a necessidade de respeitar a luta das mulheres palestinas e a participação ativa das mulheres palestinas; respeitando o papel da luta feminina e o lugar central que ocupam na luta palestina e no movimento nacional palestino, assim como o caminho que elas percorrem para alcançar a plena participação e igualdade no quadro do nosso projeto de libertação nacional e social.

Realizamos nossa conferência popular em Beirute, Madrid e São Paulo, sob a bandeira da Palestina e sob os auspícios de nosso povo lutador, trinta anos após a conferência de Madrid em 1991 e vinte oito anos após o desastroso e traiçoeiro Acordo de Oslo de 1993 pelo que essas datas representam. A organização de nossa marcha popular e internacional que foi lançada sob o lema “Toda a Palestina do rio ao mar” declaramos nossas posições documentadas e nossa cultura da autossuficiência; evidenciando que nossos caminhos foram confirmados pela direção da bússola de luta, do nosso novo caminho revolucionário no confronto com as forças do colonialismo sionista e o projeto de rendição.

Estamos empenhados em confrontar a abordagem de normalização com as instituições e a entidade inimiga. Ao mesmo tempo, afirmamos o fortalecimento das relações de luta com as várias forças e personalidades militantes judaicas, anti-sionistas e anti-racistas e de apoio aos direitos de nosso povo que luta valentemente na resistência para libertar toda a Palestina e o estabelecimento de uma sociedade democrática em toda a Palestina, baseada na justiça e igualdade, uma sociedade livre de exploração de classe, racismo e sionismo.

A vertente revolucionária palestina com dimensões árabes e internacionais cujas características foram traçadas por milhares de mártires palestinos, árabes e internacionais ao longo de décadas de luta é o caminho da mudança radical que interpreta a realidade para mudá-la. Entender os desafios internacionais e os desafios nacionais e locais específicos é importante,pois cada comunidade palestina é fonte de força e pluralismo. Respeitamos os nossos direitos e raízes, olhando para o futuro e acompanhando o ritmo dos tempos. Esta abordagem revolucionária está surgindo hoje para caminhar com confiança e passos firmes em direção à Palestina libertada … em direção a um novo amanhecer árabe e humano.

No dia do nosso lançamento saudamos todos e todas que estão na luta do nosso povo palestino e as forças de resistência na Palestina. Saudamos também a luta do movimento dos prisioneiros palestinos, a direção da luta de nosso povo na terra ocupada e a escola revolucionária da qual derivamos toda a determinação e vontade de continuar no caminho até obtermos nossa liberdade e chegarmos ao nossa decisiva vitória.

Viva a luta de nosso povo palestino em todos os lugares!

Nenhuma voz é mais alta do que a voz do povo palestino!

Glória aos mártires, liberdade aos prisioneiros!

Devemos voltar e ser vitoriosos!

O Movimento do Caminho Revolucionário Palestino Alternativo

Madri, Espanha

2 de novembro de 2021

 

 

 

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