Declaração de São Paulo
Declaração Final da Conferência do Movimento do Caminho Palestino Revolucionário Alternativo – São Paulo
Março / Abril de 2026
À luz da guerra genocida em curso contra o nosso povo palestino em toda a Palestina ocupada, e da escalada da agressão estadunidense–sionista contra o povo libanês e a República Islâmica do Irã, juntamente com os ataques aos povos de nossa nação árabe e islâmica e às forças de libertação na Ásia Ocidental, América Latina e no Sul Global, a conferência do Movimento do Caminho Palestino Revolucionário Alternativo (Masar Badil) reuniu-se durante três dias na cidade de São Paulo, Brasil, incluindo uma comemoração do 50º Dia da Terra Palestina, com a participação de quadros e organizações do movimento de vários continentes.
Esta conferência ocorre em um momento histórico decisivo, no qual o ataque imperialista-sionista contra nossos povos se intensifica, ao mesmo tempo em que os espaços de resistência e confronto popular se expandem. A luta contra o inimigo sionista e seus aliados entra em uma nova fase que exige clareza política, escalada revolucionária e uma organização mais enraizada e difundida.
Primeiro: Sobre a natureza da fase atual e a luta
A conferência afirma que a fase atual exige uma intensificação da luta revolucionária organizada contra a entidade sionista, que atua como uma base avançada do colonialismo de assentamento ocidental, e contra o sistema imperialista global liderado pelos Estados Unidos da América, que é o principal e maior inimigo dos nossos povos e de toda a humanidade, sendo responsável pela continuidade da agressão, cerco, saque e pela perpetuação de sistemas de dependência e opressão em nossa região e no mundo.
A conferência também considera que a unidade dos campos e arenas de luta e resistência, da Palestina ao Líbano, Iêmen, Iraque e Irã, e da Ásia Ocidental a Cuba, Venezuela e toda a América Latina e África, reflete o caráter internacional da luta e confirma que a batalha pela Palestina é parte inseparável da luta dos povos contra o colonialismo, o imperialismo e o sionismo.
Segundo: O papel do povo palestino e árabe no exílio
A conferência enfatiza que as massas palestinas e árabes no exílio e shatat constituem um pilar fundamental na luta pela libertação e retorno, e uma força material e política que não pode ser marginalizada ou ignorada. Assim, a fase atual exige mobilizar e desenvolver o papel da base popular árabe e internacional da resistência como componente central e influente do projeto de libertação palestino e árabe, por meio da ampliação da participação popular e da construção de estruturas capazes de transformar as energias das massas em ação revolucionária organizada.
A conferência também afirma que o direito de retorno dos refugiados palestinos não é um slogan simbólico, mas o núcleo do projeto de libertação palestino e um pilar da luta revolucionária até a libertação de toda a Palestina, do rio ao mar.
Assim, conclamamos os apoiadores da Palestina em todo o mundo a apoiar e fortalecer a firmeza e a luta dos refugiados palestinos nos campos do Líbano, Síria e Jordânia, e dentro da Palestina ocupada, e a considerar essa tarefa como um alinhamento revolucionário consciente com as classes populares e seus direitos, pois elas representam a maioria do povo palestino empobrecido e aqueles com maior interesse na revolução e na libertação do sionismo e do imperialismo.
Terceiro: Enfrentando a repressão, a criminalização e o racismo
A conferência condena a escalada de políticas repressivas e racistas nos países ocidentais que visam apoiadores da resistência, incluindo ativistas palestinos e árabes e movimentos de solidariedade com a Palestina, particularmente em universidades, instituições acadêmicas e meios de comunicação nos Estados Unidos, Canadá, Europa e em outros lugares. Não é coincidência que o governo canadense racista tenha emitido, em 30 de março, uma nova decisão para “dissolver a Rede Samidoun de Solidariedade aos Prisioneiros Palestinos”, organização já designada como uma suposta “organização terrorista” no Canadá e nos Estados Unidos e proibida na Alemanha. Tampouco é coincidência que essa decisão coincida com a iniciativa do Knesset sionista de legalizar a execução de prisioneiros palestinos nas prisões sionistas.
Nossa conferência afirma a necessidade de enfrentar essas políticas por meio de:
- Construção de estruturas unificadas de luta popular nas arenas da diáspora e do exílio
- Expansão das formas populares, políticas, midiáticas, jurídicas e outras de confronto e resistência
- Defesa do direito de organização e de atuação política e solidária
- Exposição do caráter repressivo e racista do sistema ocidental que apoia o inimigo sionista
Quarto: Relatórios das organizações à conferência
A conferência ouviu relatórios políticos e organizacionais de estruturas e redes militantes afiliadas ao movimento Masar Badil, incluindo Nidal – Seattle, a Rede Al-Ahrar, a Rede de Jovens e Estudantes Tariq al-Tahrir, a Rede Samidoun de Solidariedade aos Prisioneiros Palestinos, o Movimento Palestino de Mulheres Alkarama, a Students for Palestinian Equality and Return (SUPER), entre outros.
Esses relatórios afirmaram a intensificação do confronto popular com o inimigo imperialista e sionista, a expansão da solidariedade internacional, o crescimento da presença do Movimento do Caminho Palestino Revolucionário Alternativo (Masar Badil) em todos os continentes, e o aumento da consciência popular sobre a causa palestina, bem como a amplificação da voz do povo palestino e de sua resistência em diversos campos de luta.
Quinto: Tarefas da fase e programa de trabalho para 2026–2027
Com base nessa análise, a conferência do Masar Badil em São Paulo declara seu compromisso com as seguintes tarefas:
- Intensificar todas as formas de resistência e luta contra a ocupação sionista e apoiar as forças de resistência na Palestina, Líbano, Iêmen, Iraque, Irã e em toda a região, como linha avançada de defesa dos nossos povos. Nesse espírito, saudamos a resistência no sul do Líbano, no Vale do Bekaa e nos subúrbios ao sul de Beirute, que luta com coragem excepcional contra o exército de ocupação sionista, infligindo pesadas perdas e impedindo-o, pela força, de avançar e ocupar o sul do Líbano.
- Expandir o trabalho organizacional e de massas entre comunidades palestinas, árabes e muçulmanas no Brasil e em toda a América Latina, fortalecendo a presença da causa palestina como parte de uma luta internacional abrangente. Convocamos estudantes e jovens árabes no continente a se engajarem plenamente no trabalho revolucionário contra o movimento sionista e a fortalecerem seus vínculos de luta com forças revolucionárias progressistas que combatem o imperialismo.
- Dar continuidade à luta e às campanhas populares para romper o cerco “israelense”-americano em curso contra o povo palestino na Faixa de Gaza, interromper a agressão sionista diária na Cisjordânia ocupada e expor as políticas e leis racistas impostas pela ocupação contra os palestinos dentro dos territórios ocupados desde 1948 — uma rejeição abrangente ao projeto genocida sionista em toda a Palestina.
- Enfrentar todas as formas de normalização e dependência, expor regimes cúmplices da agressão contra nossos povos e considerar a normalização uma traição à causa palestina e à luta mais ampla de libertação árabe e internacional.
- Defender as liberdades políticas e os direitos de ativistas e combatentes da liberdade, enfrentando tentativas de criminalizar as forças de resistência e os movimentos de solidariedade com a Palestina.
- Fortalecer a coordenação e cooperação com forças de libertação em toda a América Latina e no mundo, e trabalhar para construir uma ampla frente internacional contra o imperialismo, o sionismo, o racismo e a exploração.
- Boicotar a entidade sionista “Israel”, suas instituições e apoiadores em todo o mundo, e trabalhar para responsabilizar seus líderes perante tribunais internacionais como criminosos de guerra.
Sexto: Campanhas de luta adotadas pela conferência
A conferência anuncia o lançamento e a adoção de um conjunto de campanhas internacionais de luta, incluindo:
- Continuação da campanha popular global para expulsar a presença militar dos EUA, incluindo iniciativas de segurança, do mundo árabe, da Ásia Ocidental e do Sul Global, exigindo a retirada de bases militares estrangeiras das terras dos nossos povos. Também trabalhará para encerrar as atividades de empresas de segurança “israelenses” no Brasil, boicotando-as e exigindo o cancelamento de contratos com elas, especialmente as empresas Hagana e Yamam.
- Apoio à campanha internacional para boicotar e processar a empresa “israelense” Mekorot, expondo seu papel no roubo de recursos hídricos palestinos e suas tentativas de infiltrar projetos de água e energia em vários países, especialmente na América Latina.
- Expansão das campanhas contra empresas de armamentos sionistas como Elbit Systems e outras corporações que comercializam morte e guerra, particularmente empresas dos EUA, Canadá e Europa, que colaboram com o exército de ocupação e suas instituições militares e de segurança.
- Libertação de prisioneiros palestinos, libaneses e árabes das prisões sionistas, e lançamento de uma campanha internacional para libertar prisioneiros palestinos, árabes e internacionais detidos por seu apoio à Palestina em prisões ocidentais, dos EUA e de outros países.
Conclusão
A conferência de São Paulo afirma que nosso povo palestino, junto com os povos livres do mundo e as forças revolucionárias no Brasil e na América do Sul, continuará no caminho da libertação e do retorno sem recuo ou conciliação. Os sacrifícios dos mártires, a firmeza dos prisioneiros e a vontade da resistência moldarão a próxima fase e o caminho para a libertação — não Washington, Tel Aviv ou as capitais cúmplices da ocupação.
À medida que a agressão contra nossos povos se intensifica, a resistência se fortalece, as equações da luta mudam e o equilíbrio de forças se inclina a favor dos povos em luta.
Por fim, o movimento Masar Badil estende saudações especiais e camaradas a seus apoiadores no Brasil que garantiram o sucesso da conferência, e saúda todas as forças brasileiras progressistas e revolucionárias e aquelas em todo o continente que participaram da conferência e declararam seu apoio à luta do povo palestino pela libertação da Palestina do rio ao mar.
A vitória pertence aos povos que lutam.
A libertação é inevitável, não importa quanto tempo leve ou quão grandes sejam os sacrifícios.
Glória aos mártires, liberdade aos prisioneiros e vitória à resistência.
Conferência do Movimento do Caminho Palestino Revolucionário Alternativo – São Paulo
Março / Abril de 2026